O mercado de arte tem muitas curiosidades que para não iniciados pode torna-lo bizarro. Rembrandt, pintor holandês que por muitos é considerado o maior de todos os tempos, produziu em sua carreira artística em torno de 320 quadros. No entanto, se somarmos as obras de Rembrandt em coleções particulares (350 obras) e em grandes museus (600 obras) fica óbvio que há muitos pensando ter um mestre na parede, mas foram enganados com uma boa cópia.

Assim como na arte, o mundo da marcas está cheio de cópias, algumas boas outras nem tanto. O fato de vermos réplicas iguais ou parecidas de algo que já existe está ligado a diversos fatores, entre eles a perseguição do sucesso que outros já alcançaram, o mimetismo de categoria e a existência de tendências que guiam as decisões dos competidores. O eventual gosto do mercado pelo estilo de Rembrandt pode ter desencadeado uma legião de seguidores, inclusive imitando sua assinatura.

O acesso a uma enorme cesta de informações faz com que muitas marcas sejam Rembrandts contemporâneos, pintando quadros que outros já fizeram antes. Basta observar as grandes tendências, o comportamento das pessoas, o que está vendendo nos países lançadores de moda, analisar o big data do seu segmento e tomar uma decisão muito parecida com aquela que seu concorrente já tomou. Quadros vermelhos vendem melhor que pretos e obras que retratam vacas geralmente se dão mal no mercado. Se você fosse um aspirante a pintor e alpinista financeiro certamente prestaria atenção nestes detalhes!

Seguir um caminho já trilhado por outros passa uma falsa sensação de segurança. Alguém passou pela parte mais difícil, fez um mapa de um lugar antes não desbravado. Um mercado consumidor foi formado e a árdua curva inicial de introdução foi vencida. Mas aquele que chega depois, sempre corre atrás. Muitas vezes nem entende o que aconteceu. A história e as tendências não evoluem feito bola de neve, não são contínuas, com consequências sempre conforme a velocidade aumenta. Às vezes não é o momento, as pessoas não estão prontas. Uma tendência parece mais uma avalanche, com a neve se depositando na encosta de uma montanha. Até que num dia ensolarado e comum, um simples encostar dos esquis de alguém faz tudo desabar em todas direções. As marcas rasas e seguidoras do “eu também” não sabem por onde a neve se acumula, muito menos o tamanho da montanha.

Certa vez, Laurence Peter disse que a originalidade é a arte de lembrar o que você ouviu, mas esquecer onde foi que ouviu. Nessa exata hora, a neve que desabou da montanha já alcançou todo mundo. Aqueles que tentaram seguir tudo que já deu certo com outras marcas e falharam, pois não entenderam os motivos, começam a pensar no lançamento de uma linha de hambúrgueres. Afinal isso é a nova tendência, pelo menos ouviram falar isso. Mas também poderia ser um food truck, um sneaker dourado, uma barbearia descolada…

Felipe

 

 

 

 

 

Felipe Schmitt-Fleischer

http://www.felipefleischer.com

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