Os negócios estão nos detalhes. As marcas também. Neles os momentos da verdade são ganhos. Ou perdidos. Detalhes tão pequenos. Somados têm um grande impacto. Estamos cercados deles. A todo momento tomamos uma decisão que os envolve. Porque são meros detalhes. Mesmo com a omissão, algo foi decidido. Agora mesmo.

Um time com uma peça mal escalada; perde o jogo.

Área comercial onde a gestão relaxou um instante; não bate a meta.

Aquele menino inexperiente no marketing; a marca vai ficar na mão.

O corte de pessoal; diminui sua chance de dar a volta.

Deixar o cliente esperando; ele corre para o concorrente.

Não reconhecer bons profissionais da sua equipe; vai afastá-los.

Subestimar o mercado por ignorar cenários; deixa a empresa à deriva.

Abrir mão da qualidade na cozinha; os clientes vão fugir do seu restaurante.

Lançar um produto mais ou menos; queima sua marca e sua reputação.

Não seguir padrões de segurança; algum avião irá apresentar defeito.

Deixou fresta; o diabo entra!

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O mundo é feito de pequenas pecinhas, ações e interações. A combinação delas constrói a realidade presente e molda a futura. Ninguém ainda conseguiu montar um modelo que explique como funciona. Não falamos de um relógio ou de outro mecanismo mecânico. O desdobramento dos acontecimentos e os cenários possíveis são bem mais complexos. E não há como dizer que aquela pecinha insignificante não possa ser a centelha de uma grande explosão.

Mohamed Bouazizi era um jovem tunisiano que com 3 anos perdeu o pai. Trabalhou duro vendendo frutas e legumes em um carrinho. Tomava dinheiro emprestado, comprava os produtos e depois os vendia para pagar a dívida e sustentar sua família. Em uma manhã, a polícia local cerca seu carrinho. Citam alguma lei qualquer para confiscar sua balança. É um achaque. Humilham-no, insultam seu pai e levam tudo. Ele presta queixa, mas o responsável não pode atendê-lo. O jovem volta mais tarde, encharca seu corpo com combustível e ateia fogo a si mesmo. O dia era 17 de dezembro de 2010. Protestos pequenos que se tornaram grandes explodiram. A brutalidade da repressão policial só os aumentou. O governo da Tunísia caiu dias depois. E o fogo da ira popular se espalhou pela região. Essa foi a Primavera Árabe.

Não temos um modelo previsor. Talvez nunca o tenhamos de fato. Não sabemos qual a peça ou a interação entre elas que vai explodir algo lá na frente. Mas sabemos que a qualquer fresta, o diabo entra. Então melhor não subestimar nada. Pode ser pouco confortável estar atento a tantos detalhes. No entanto, melhor assim. Pois depois que ele entrou, aí sim, fica bem mais desconfortável.

Felipe

 

 

 

 

 

Felipe Schmitt-Fleischer

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