Em um dia usual, você recebe uma carga de informação equivalente a quase 200 jornais. Você imaginou, 200 jornais empilhados diariamente na porta de sua casa? A cada hora são registradas 20 novas marcas no Brasil. Isso são só aquelas que são protocoladas no órgão oficial, fora as dezenas que são criadas e lançadas todas as semanas. Você consegue lembrar-se de quantas marcas novas?

Não há dúvidas que vivemos a era da abundância. De produtos, informação, marcas, necessidades (algumas que jamais pensamos que teríamos). Opções demais para um mundo finito. Uma visita ao supermercado da cidade, à megastore de livros ou à loja de departamentos nos coloca diante de tantas alternativas que teríamos que ter muitas vidas em sequência para decidir. Tantas marcas para escolher, muitas das quais não entendemos a que vieram, afinal são clones de outras que já existiam. Curioso pensar nisso, pois o conceito original de marca vem de marcar para tornar diferente o que era igual.

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O objetivo de muitas delas é vender mais, com mais frequência, para mais pessoas. E assim crescer para dominar mais mercados e obter mais resultados. Se todos correm para o mesmo lado, chegarão em posições semelhantes. Mais produtos parecidos (ou iguais), mais recursos consumidos, mais comunicação e disputa por atenção em um mundo onde as pessoas não conseguem mais absorver o que já tem hoje, muito menos o planeta prover recursos para uma expansão constante. Num planeta morto não há marcas.

O escalador e empreendedor Yvon Chouinard defende que a forma como você escala uma montanha é muito mais importante do que alcançar seu topo. Levando isso para o mundo das marcas e do consumo, seu modelo de negócio deve ser mais relevante que a primeira e a última linha de seu balanço contábil. As marcas que chamam a atenção no mundo sem paciência e espaço são as que fazem diferente. A californiana Cuyana que propõe às mulheres menos e melhores itens (Fewer, Better Things), em um modelo de negócio de menos moda e mais peças atemporais com acabamento em pequenos ateliers especializados. A nova-iorquina 1Atelier que redefine o luxo a partir das pessoas, combinando a mão de obra artesanal com a tecnologia do e-commerce para entregar customização ao nível máximo. A Oiselle, considerada uma das 6 startups do segmento running a ser observada, que é uma marca de mulheres para mulheres, aliando performance com estilo, algo esquecido por quem faz tudo para todos.

As pessoas se importam com as marcas que se importam com elas. Seja através do produto que entende suas necessidades específicas (e que ninguém mais enxerga), como o caso da confecção feminina da Oiselle. Seja por meio de bolsas únicas e moldadas só para seu estilo como faz a 1Atelier. Seja por entender que basta de abarrotarmos nosso guarda-roupa com lixo fast fashion, na proposta reflexiva da Cuyana. Marcas precisam de vitalidade para sobreviverem. E esta vitalidade só é alimentada se elas apresentarem alguma relevância e significado para as pessoas e o planeta. Olhe para seu negócio e inicie respondendo a que veio. Assim começará a construir sua marca no mundo.

Felipe

 

 

 

 

 

Felipe Schmitt-Fleischer

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