Vivemos muito tempo no mundo da escassez, quase toda a história da humanidade. Então, brigávamos sempre por mais de tudo. Isso gerou um mundo de grandes excessos, que abarrota nossa agenda, mente e tempo livre. Nossas vidas ficaram padronizadas e a cada dia mais pasteurizadas. Sem graça, em outras palavras. Atendo muitos clientes em sessões de coaching que já não sabem o que fazem, no que são bons e qual o propósito de ficar em pé quando o celular toca pela manhã. Um leve desespero em suas palavras e ações, em busca de ocupação para o tempo que silenciosamente os ensurdece e os atormenta, não permitindo que consigam colocar significados em seus momentos.

Para não pensar nisso, se ocupam e não deixam ninguém de sua equipe ter momentos livres. A superocupação é a regra e se notarmos alguém da equipe rindo, no celular ou conversando com colegas, mesmo que por pouco tempo, está na hora de deixar bem marcado que ela está sendo paga para trabalhar. Talvez esteja sendo evocado o espírito da palavra “trabalho”, que origina-se do vocábulo latino Tripalium, que era um instrumento de tortura, em que, após alguns dias, a pessoa fazia o que você queria para sair dali. O trabalho, então, é sinônimo de tortura.

Trabalho em mais valia

Dezenas de anos mais tarde, este conceito foi suavizado. Trabalho era para os menos favorecidos, escravos e quem precisava comer todo o dia, então, para todos. Quem era nobre, mesmo que comendo muito, não trabalhava. Depois desta época, não preciso dizer como evoluiu o conceito, pois Charles Chaplin nos ensinou em “Tempos Modernos” que transformamos o trabalho em “mais valia”. Você pode até escolher onde trabalha, mas geralmente entra-se em um “labirinto de ratos” causado pelos excessos econômicos individuais, em que você pensa que só mais uma dose de trabalho para que se consiga pagar a conta e você cairá fora, irá buscar o que você deseja tanto fazer, mesmo que ainda não consiga pronunciar em palavras o que é. Mas novas contas chegam e você fica no labirinto e se acostuma. Um pensamento adicto, para não dizer cruel, escravizando modelos mentais de consumir pelo prazer instantâneo, uma fuga. Algo que retira o espírito de querer deixar um vestígio marcante neste mundo, por um momento onde se possa entrar em uma loja e sair com mais uma sacola, enfeitiçado, com a mente enevoada, que mais uma vez morde a maçã e comete o pecado de ficar vagando por trilhas de terra sem ver o sol. Aceito a tortura desde que possa ter mais momentos como este.

O trabalho deveria ser edificante. Se você vibra pelo TGIF (Thank God It´s Friday) e fica com um gosto azedo na boca quando toca a música do Fantástico no Domingo ou quando ativa o seu celular para despertar na segunda, melhor do que tomar uma pílula antiácida ou um sal de frutas é reavaliar o que você está fazendo com o seu precioso dom de estar andando por este mundo, neste momento.

Somos especiais

Gosto de acreditar que somos especiais em nossa individualidade. Que quando dois se encontram o momento é magico, pois dali as possibilidades são infinitas. E nada melhor para isso do que ter um trabalho que permita exercer seus poderes, se colocar a prova, se testar e deixar seu vestígio para que um dia o mundo saiba que você esteve aqui. Não é só uma questão de escolha, mas sim de desejo. Antes de escolher você tem que sair do mundo de escassez, onde você deseja mais informações, mais ocupações do tempo, mais  doses de recompensas imediatas, para um mundo de abundância, onde você monta um cardápio gourmet de opções de vida, mesmo que simples e sem custo, mas degusta aquilo no tempo que ela merece, seja uma revista, um prato de massa no almoço no boteco da tia da esquina, ou ouvindo uma música em um engarrafamento na rodovia.

Aprendemos de forma rápida a não valorizar mais as coisas simples. Você pode ter o dinheiro que quiser e consumir o que tiver vontade, desde que tudo isso tenha um significado maior para você, um propósito, uma realização que transcenda a posse. Desejando isso, você estará pronto para escolher. Opte pela vida. Que a força de um pensamento abundante esteja contigo.

Boas Vendas

Até o próximo

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Gustavo Campos

Coach comercial e Publisher do Pensador Mercadológico

www.pensadormercadologico.com.br

 

Gustavo Campos, administrador por formação, empreendedor por natureza. Muito estudioso, leitor voraz, odeia falar ao telefone. Gosta de tecnologia, apesar de se incomodar em pagar mais caro por ser um dos primeiros a comprar algo. Geek por estilo de vida, sempre está conectado, não sabendo o que seria de sua vida sem notebook, smartphones, tablets, Moleskine e uma boa conexão Wi-Fi com a Internet. Ambicioso, não alcançou ainda nem o início do que quer desta vida. Professor apaixonado pela vida e por sua família, dono do Max e da Pink, o casal de Yorkshires mais famosos da cidade.

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Artigo escrito originalmente para o Jornal Exclusivo e publicado dia 08/08/2016

Fonte da foto: http://pt.freeimages.com/photo/working-with-laptop-3-1545962

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