A história conta que Marlon Brando participava de uma de suas primeiras oficinas de teatro, quando a instrutora pediu que todos os alunos passassem a ser galinhas em um galinheiro prestes a sofrer um ataque de uma bomba atômica. Os alunos começaram a correr como galinhas enlouquecidas, uma cacarejando mais alto que a outra. Menos uma. Brando ficou em um canto, como sentando em um poleiro imaginário, quieto e sonolento. Ao final da atividade, questionado pela instrutora sobre seu comportamento, respondeu: ‘sou uma galinha, não sei nada sobre o perigo de uma bomba atômica’.

Não existem soluções mágicas para os problemas, existem sim soluções de verdade. Brando encontrou a sua, verdadeira e bem realista. Uma das poucas certezas dessa vida é que você será desafiado a uma série de problemas. Dos pessoais aos profissionais. O que fará a diferença não será a quantidade deles que aparecerão, mas como você irá solucioná-los. Correndo desesperado como os colegas galinha de Brando ou encontrando soluções de verdade. No final dos anos 70, um sujeito que tentava se firmar na profissão, havia consumido grande parte do orçamento e do tempo para fazer um filme de suspense sobre um tubarão assassino. Só havia um problema, o tubarão mecânico não funcionava direito e dentro da água era tão bisonho que não assustaria uma criança de 6 anos.

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Steven Spielberg tinha um problema gigante para resolver. Depois de quebrar a cabeça para colocar o tubarão para funcionar, percebeu que este não era o problema de verdade. A solução mágica não seria fazer um tubarão mais tecnológico e realista, mas transmitir o pavor e a tensão necessários sem mostrar o peixe. A linha da água que separa o que vemos daquilo que não enxergamos, oculta o desconhecido e ameaçador. Assim, um eventual fracasso nas filmagens tornou-se um sucesso estrondoso que catapultou a carreira do jovem cineasta.

O PhD David Niven defende que encontrar soluções de verdade envolve tirar o foco do problema. Se você olhar para o muro e não para pista, você vai ir de encontro a ele. E sua questão complexa fica sem resposta. No livro Click, ele propõe várias atividades para libertar sua mente durante o processo de busca de soluções:

-Vá assistir um filme chato

-Seja outra pessoa por um tempo

-Faça algo que nunca fez

-Coma uma barra de chocolate

-Aceite menos

-Vá ver uma pintura abstrata

-Pare de treinar

-Desacelere

-Seja competitivo com você mesmo

-Ligue para seu amigo de cabelo roxo

-Faça prognósticos

-Movimente-se

-Fracasse com alegria

-Faça algo fora de ordem

-Aprenda a tocar violino (ou tente dançar flamenco!)

-Saia do seu quadrado

Não siga o líder

-Divague

-Ignore a crítica

-Seja atento e prudente

Ao mergulhar em um problema você irá conseguir afundar mais ainda. As dicas procuram afastar você dele, do medo que causa, além de aproxima-lo de soluções através de estímulos mentais para encontrar respostas de verdade. De nada adianta pensar nas espreguiçadeiras quando o destino do Titanic já está selado. Coloque a cabeça na direção certa e construa um novo caminho possível!

Felipe

 

 

 

 

Felipe Schmitt-Fleischer

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